O início de um novo ciclo traz consigo a campanha Janeiro Branco, um movimento necessário para colocar a saúde mental em pauta. No universo das corridas de rua, o mês ganha um significado ainda mais profundo. Para o público da terceira idade, calçar o tênis e ocupar o asfalto é muito mais que um exercício físico: é uma das estratégias mais eficazes para enfrentar a depressão e o isolamento social.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2024/2025) acendem um alerta: 13% da população idosa brasileira apresenta sintomas depressivos. O número reflete os desafios de uma fase da vida marcada por mudanças físicas e, muitas vezes, pela perda de autonomia.
A ciência por trás da passada: o “remédio” natural
Não é apenas sensação; é biologia. A corrida de rua estimula a liberação de endorfina e serotonina, neurotransmissores responsáveis pelo prazer e pela regulação do humor. Para o idoso, esse processo ajuda a aliviar a ansiedade e a preservar funções cognitivas essenciais, como a memória.
Além disso, eventos temáticos, como a Corrida Saúde Mental em Movimento, servem como um convite para quem deseja iniciar um hábito saudável, integrando o esporte com a mensagem de cuidado psicológico.
O equilíbrio entre o cuidado familiar e a autonomia
A saúde mental na terceira idade exige um olhar atento de quem está por perto. A Dra. Nívea Schweiger, psiquiatra da Afya Educação Médica, ressalta que o diagnóstico em idosos pode ser complexo, muitas vezes confundindo-se com quadros iniciais de demência. Segundo ela, o papel da família é crucial, mas deve ser exercido com cautela.
“Muitas vezes, a ideia de uma depressão leva a um conceito de falta de força ou de fé, então o familiar tem um papel importante nesse ponto da compreensão. Outro ponto fundamental é ele estar presente no tratamento, acompanhando as consultas, checando se o idoso está tomando os remédios e promovendo, para ele, uma rotina mais ativa, com vida social. Há situações em que a família, na ânsia de cuidar, acaba restringindo as atividades da pessoa, então é preciso balancear as coisas e respeitar a autonomia do idoso”, explica a psiquiatra.

Envelhecer em movimento
A corrida de rua tem se consolidado como um espaço democrático de socialização. Ao ingressar em grupos de corrida ou assessorias, o idoso combate o isolamento, cria novos vínculos e fortalece a autoestima ao cumprir metas — seja completar os primeiros 3km ou uma prova de 10km.
Para quem deseja começar ou incentivar um familiar, a segurança é a prioridade. Especialistas recomendam:
- Avaliação médica completa antes da primeira passada;
- Progressão gradual, alternando caminhada e trote;
- Foco no fortalecimento muscular para proteger as articulações;
- Uso de calçados adequados para absorção de impacto.
Um convite ao bem-estar
O Janeiro Branco nos lembra que a mente também precisa de treino. A corrida de rua surge como um exemplo prático de que envelhecer pode ser sinônimo de movimento, propósito e alegria. Cuidar da saúde mental envolve, sim, ajuda profissional e psicoterapia, mas o esporte é o combustível que mantém a engrenagem da vida girando com mais leveza.









