A prática de adicionar sal à água, ingerir cápsulas de sódio ou consumir bebidas ricas em eletrólitos antes do treino ganhou força nas redes sociais e virou tendência entre atletas amadores. A promessa dos entusiastas é otimizar a hidratação, evitar cãibras, retardar a fadiga e melhorar o desempenho muscular em treinos de corrida e musculação.
Por ser o principal mineral perdido através do suor, o sódio desempenha papel fundamental na contração muscular, na transmissão de impulsos nervosos e na regulação dos líquidos corporais. No entanto, especialistas alertam que a ingestão deliberada de sal sem orientação técnica pode trazer riscos à saúde em vez de ganhos de performance.
O que dizem os especialistas e os estudos
“Durante exercícios longos, principalmente sob calor intenso, essa perda pode ser significativa. No entanto, para a maioria das pessoas, aumentar deliberadamente o consumo de sal dificilmente traz benefícios e ainda pode elevar os riscos à saúde”, alerta Ana Cristina Gutiérrez, nutricionista esportiva, mestre em Nutrição e membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.
Uma revisão com 145 estudos publicada na Performance Nutrition aponta que não existem evidências científicas justificando o aumento do consumo diário de sódio para a maioria das pessoas que se exercitam, uma vez que o organismo consegue regular naturalmente as perdas renais e sudoríparas. O fator determinante para a hidratação e o desempenho é a proporção equilibrada entre água e sódio no corpo.
Diretrizes do American College of Sports Medicine (ACSM) indicam que a reposição extra do mineral só é indicada para atividades com duração superior a uma hora ou realizadas sob calor extremo, preferencialmente por meio de isotônicos formulados. “Abaixo de uma hora de atividade, a água costuma ser suficiente para hidratar”, reforça Gutiérrez.
Riscos do excesso de sódio e consumo no Brasil
Dados do Ministério da Saúde indicam que a população brasileira já consome em média 11,8 gramas de sal por dia — valor mais que duas vezes superior ao limite máximo de 5 gramas diárias recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “O excesso de sal na alimentação favorece a elevação da pressão arterial e, a longo prazo, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC) e doença renal”, afirma o médico nutrólogo Dr. Nataniel Viuniski.
A suplementação desnecessária de sódio ou a adição direta de sal na água pode agravar esse quadro, especialmente em indivíduos com predisposição à hipertensão. Para praticantes de provas de endurance, a orientação deve ser individualizada. “Hoje dispomos de bebidas isotônicas, que repõem os eletrólitos de forma muito segura, conveniente, prática e baseada nas melhores evidências científicas”, conclui o nutrólogo









