Quem busca emagrecer costuma ouvir uma recomendação frequente: para perder peso, é preciso entrar em déficit calórico. O conceito está correto do ponto de vista fisiológico, já que para eliminar gordura o organismo precisa gastar mais calorias do que consome. O problema ocorre quando essa estratégia é interpretada como sinônimo de comer o mínimo possível, um erro que compromete tanto a saúde quanto a manutenção dos resultados a longo prazo.
De acordo com Cacá Ferreira, gerente técnico da Cia Athletica, a restrição alimentar deve ser planejada para que o organismo utilize suas reservas de gordura sem comprometer a massa magra, a disposição diária e o desempenho nos treinos. O especialista reforça a importância de um planejamento equilibrado para não prejudicar o metabolismo.
“Existe uma diferença muito grande entre criar um déficit calórico e simplesmente passar fome. Quando a restrição alimentar é exagerada, o corpo tende a perder massa muscular, o metabolismo pode desacelerar e a pessoa encontra muito mais dificuldade para manter a estratégia ao longo do tempo. Emagrecer de forma saudável significa perder gordura preservando a musculatura”, explica Cacá Ferreira.
A importância da musculação aliada aos exercícios aeróbicos
O emagrecimento sustentável depende do equilíbrio entre alimentação, prática regular de atividades físicas e descanso adequado. Nesse cenário, o treinamento de força desempenha um papel fundamental ao proteger a massa magra durante o processo de redução de peso. Por demandar mais energia do organismo para ser mantido, o tecido muscular contribui para um gasto energético elevado ao longo do dia, inclusive nos momentos de repouso.
Um erro comum entre praticantes de atividades físicas é apostar apenas em exercícios aeróbicos, como corrida, caminhada ou ciclismo, para acelerar a perda de peso. Embora o cardio seja eficiente para aumentar o gasto calórico imediato, a combinação com a musculação é a melhor alternativa para otimizar a composição corporal.
“A melhor estratégia não é escolher entre musculação ou cardio. Cada modalidade oferece benefícios diferentes. O exercício aeróbico melhora o condicionamento cardiovascular e aumenta o gasto energético durante a atividade, enquanto a musculação ajuda a manter a massa muscular e o metabolismo ativo. Juntos, eles potencializam os resultados”, afirma o especialista.
Sustentabilidade da rotina evita o efeito sanfona
Outro ponto fundamental para o sucesso do processo é a sustentabilidade da rotina no dia a dia. Dietas extremamente severas tendem a gerar fome intensa, queda no rendimento físico e desistência do plano alimentar, favorecendo o ganho de peso posterior.
“O déficit calórico precisa ser compatível com a rotina e com as necessidades individuais. Quando ele é muito agressivo, a tendência é abandonar o processo antes que os resultados apareçam. O emagrecimento mais eficiente é aquele que a pessoa consegue manter no longo prazo”, conclui Cacá Ferreira.









