
Quase metade da população adulta no Brasil vive em estado de sedentarismo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A falta de atividade física regular figura entre as principais aliadas das doenças cardiovasculares, que lideram as causas de mortalidade no país, ultrapassando 400 mil óbitos anuais, de acordo com o Ministério da Saúde. Para reverter esse cenário, médicos alertam que o segredo não reside em treinos exaustivos, mas na constância do movimento no dia a dia.
No sistema cardiovascular, a falta de movimento compromete a eficiência do coração e reduz a flexibilidade dos vasos sanguíneos, condição que facilita a elevação da pressão arterial. No entanto, o impacto pode ser evitado com a mudança de hábitos.
“Quando a pessoa se exercita com frequência, o corpo responde rapidamente. O controle do peso, da pressão, da glicemia e do colesterol fica muito mais simples, o que reduz diretamente os riscos de um infarto ou AVC. Em muitos casos, o paciente consegue até diminuir a quantidade de remédios que toma”, explica o Dr. Nathan Soubihe, cardiologista do Hcor.
Atualmente, um dos principais fatores que desencadeiam o sedentarismo é a sitting disease, conhecida como a “doença do ficar sentado”. O especialista lembra que treinar uma hora por dia não anula os danos de passar o resto do dia sem se mexer. Ficar o expediente inteiro em imobilidade prejudica o metabolismo da glicose e eleva os riscos de eventos trombóticos. A orientação para quem passa longos períodos sentado é pausar o trabalho a cada 60 minutos para caminhar até o banheiro ou buscar água.
Como começar a prática de atividade física com segurança
Antes de iniciar uma modalidade intensa, o ideal é fazer um check-up preventivo com o cardiologista. Depois de liberado, não é preciso ter pressa: trocar o elevador pela escada ou caminhar até o ponto de ônibus já são passos valiosos na rotina.
As diretrizes médicas recomendam 150 minutos de atividade moderada por semana. Para bater essa meta, o segredo é escolher algo de que se goste. “Não existe um exercício único ou obrigatório. A melhor atividade física é aquela que traz prazer, porque é a única que a pessoa realmente vai manter na rotina ao longo do tempo”, conclui o Dr. Nathan Soubihe.








