
A prática regular de atividade física é uma das principais aliadas no controle do lipedema, condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e nos braços, que pode causar dor, sensibilidade, hematomas frequentes e sensação de peso nos membros. Apesar dos benefícios do exercício, uma dúvida é comum entre quem recebeu o diagnóstico: afinal, quem tem lipedema pode correr?
Segundo Beatriz Berenchtein, coordenadora de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera, não existe uma resposta única. “A corrida não é proibida para quem tem lipedema, mas a indicação depende do estágio da doença, da intensidade dos sintomas e do condicionamento físico de cada paciente. Em alguns casos, o impacto pode aumentar a dor e o desconforto, principalmente quando a prática começa sem preparo ou acompanhamento profissional”, explica a especialista.
Atividades mais indicadas para aliviar inchaço e dores
Escolher a modalidade ideal ajuda a melhorar a circulação e reduzir os sintomas. A fisioterapeuta destaca os exercícios que costumam trazer mais benefícios para o quadro:
- Caminhada: excelente opção para quem está iniciando uma rotina de exercícios. Por ser de baixo impacto, contribui para melhorar a circulação e o condicionamento físico.
- Natação e hidroginástica: a pressão da água favorece o retorno venoso e linfático, ajudando a aliviar o inchaço e reduzindo a sobrecarga sobre as articulações.
- Musculação: quando bem orientada, fortalece a musculatura, melhora a estabilidade das articulações e auxilia na funcionalidade dos membros inferiores.
- Pilates: ajuda no fortalecimento muscular, na postura, na mobilidade e no equilíbrio, mantendo o baixo impacto.
- Bicicleta: tanto a bicicleta ergométrica quanto a convencional são boas alternativas para trabalhar o sistema cardiovascular sem causar impactos repetitivos nas articulações.
Cuidados com a corrida e exercícios de impacto
A corrida não precisa ser descartada, mas exige atenção. Pacientes com sintomas leves e bom condicionamento podem praticar a modalidade, desde que respeitem a evolução do treino e tenham acompanhamento profissional. Já para quem apresenta dor intensa, edema importante ou está iniciando a prática física, o mais recomendado é focar em modalidades de menor impacto antes de tentar correr.
Mais do que proibir uma atividade específica, o fundamental é monitorar a resposta do organismo. Exercícios com saltos em excesso ou aumentos bruscos de intensidade podem agravar o desconforto. “Cada caso deve ser avaliado individualmente. O objetivo é encontrar uma atividade que promova ganhos para a saúde sem aumentar os sintomas do lipedema”, reforça a fisioterapeuta.
Além dos exercícios, o tratamento do lipedema envolve acompanhamento multiprofissional com fisioterapia para controle do edema e alívio da dor, reeducação alimentar e o uso de meias compressivas quando indicado por especialista.








