Correr é uma forma silenciosa de arte. Não exige palco, nem plateia. Basta sair para a rua. Um gesto simples, quase banal, e algo já começa a se mover por dentro. Há quem observe de longe e nos chame de loucos. Eu nunca me incomodei com isso. Loucura, talvez. Mas uma loucura que liberta.
O Brasil tem milhões de pessoas que correm. Algo em torno de nove milhões. Não sei exatamente onde li esse número. Talvez em algum periódico na biblioteca da faculdade ou em uma Veja antiga esquecida num consultório. Sem referência precisa, mas difícil de esquecer. Eu acredito nele. Acredito porque vejo. Porque, cedo da manhã, quando a cidade ainda acorda, e no fim da tarde, quando o sol se despede, há sempre alguém correndo. Sozinho, em dupla, em grupo. Cada um carregando seus próprios motivos.
Se somos tantos, por que seguimos tão dispersos?
Por que não criar um lugar onde essas passadas se encontrem, mesmo que virtualmente?
A corrida de rua é simples e, por isso mesmo, profunda. Não escolhe classe social, não exige cenário sofisticado. É saúde, mas também é lazer. É esforço, mas pode ser prazer. Há dias em que é silêncio; há dias em que é alegria ruidosa.
As provas no estado aumentam ano após ano, quase como se a própria cidade estivesse aprendendo a correr. Antes mesmo de 2015 começar, os calendários já se desenhavam, cheios de promessas.
Ainda há quem pense que correr por aqui se resume à Corrida das Pontes. Ou, quem sabe, à São Silvestre que aparece no fim do ano, tal qual o especial do Roberto Carlos e a ceia em família, sempre acompanhada daquele tio da piada do pavê. Mas há muito mais. Provas pequenas, grandes, baratas, criativas. Algumas não chamam atenção à primeira vista, mas ficam na memória por muito tempo.
Se este espaço conseguir ajudar alguém a dar o primeiro passo, já terá valido a pena. Em 2015, vamos calçar nossos tênis e correr juntos. Sem pressa, atentos ao percurso. E, quem sabe, descobrir uma forma mais gentil de viver.








