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Quer render mais nos treinos? Músicas aceleradas podem aumentar sua resistência em 20%

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Bater uma meta pessoal de corrida ou musculação é uma das sensações mais gratificantes para quem pratica atividade física. Passar semanas ajustando a planilha para tentar baixar alguns minutos no tempo da corrida ou aumentar a carga na academia exige disciplina, mas também constrói o que os profissionais chamam de endurance. Essa resistência nada mais é do que a capacidade do organismo de sustentar o esforço físico por mais tempo antes de atingir a exaustão, trazendo benefícios diretos para as funções cardiovasculares e a redução da pressão arterial.

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O grande desafio é que ganhar resistência exige consistência e, muitas vezes, as pessoas precisam treinar cansadas devido à rotina acelerada. No entanto, uma nova pesquisa realizada na Finlândia e publicada na renomada revista científica Psychology of Sport and Exercise sugere que existe um truque simples para elevar o rendimento sem que o atleta sinta que o esforço ficou maior: ouvir músicas com ritmo acelerado, que apresentem pelo menos 120 batidas por minuto (bpm).

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De acordo com o estudo, exercitar-se sintonizado em batidas rápidas pode aumentar a resistência física em até 20% em comparação com a prática de atividades em total silêncio. O autor principal da investigação e pesquisador do Departamento de Música, Arte e Estudos Culturais da Universidade de Jyväskylä, Andrew Danso, aponta que a melodia é capaz de transformar completamente a percepção do indivíduo sobre o treino. “A música pode mudar a ‘experiência do esforço’”, explica o especialista, destacando que os estímulos sonoros ajudam a abafar o desconforto gerado pelo exercício intenso, permitindo que o atleta continue em movimento por mais tempo.

O experimento prático e os reflexos no organismo

Para chegar a esses resultados, a equipe liderada por Danso recrutou voluntários e os submeteu a testes de esforço equivalentes a 80% da capacidade máxima de corrida ou pedalada. Em silêncio, o tempo médio suportado pelos participantes até atingirem a exaustão foi de 29,8 minutos. Já quando os mesmos indivíduos realizaram a atividade ouvindo playlists com músicas animadas variando entre 120 e 140 bpm, a tolerância ao cansaço saltou para 35,6 minutos.

O dado mais curioso da descoberta científica é que, embora os participantes tenham treinado por mais tempo e queimado um volume superior de calorias sob o estímulo sonoro, os exames clínicos mostraram que a frequência cardíaca e os níveis de lactato — substância produzida pela quebra de carboidratos nos músculos durante o esforço — mantiveram-se semelhantes aos testes feitos no absoluto silêncio. “O resultado era praticamente o mesmo — a música apenas parecia ajudar as pessoas a suportarem o desconforto por mais tempo”, afirma Andrew Danso.

A comunidade de psicologia do esporte e neuropsicologia aponta que as canções mexem diretamente com o humor e servem como uma distração cerebral potente. Segundo Douglas P. Terry, neuropsicólogo do Center for Cognitive Neurosurgical Studies da Vanderbilt Health, nos Estados Unidos, uma melodia que eleva o bem-estar durante uma atividade cansativa permite manter o pique por um período prolongado. O ritmo também ajuda a sincronizar os movimentos mecânicos do tênis com a batida da canção. Complementando a tese, a psicóloga esportiva Marcia Edwards, da Ohio State University, reforça que o estímulo auditivo faz com que os indivíduos foquem muito menos na fadiga mecânica e muito mais na experiência lúdica do movimento.

Como escolher a trilha sonora perfeita para correr e treinar

O estudo deixa claro que os resultados observados nos testes de laboratório se aplicam com eficácia a diferentes modalidades de exercícios e corridas de rua. No entanto, os pesquisadores enfatizam que o tipo de música escolhida faz toda a diferença. Não basta apenas ligar o rádio em uma estação qualquer ou escutar a playlist padrão das caixas de som da academia; o ideal é montar uma lista de reprodução baseada em faixas com forte significado pessoal, que tragam apelo emocional e que sejam genuinamente energizantes para você.

Para reproduzir os ganhos de 20% de endurance apontados pelos cientistas, o corredor deve buscar canções que fiquem acima das 120 batidas por minuto. Clássicos internacionais muito conhecidos pelo público como “Stayin’ Alive” dos Bee Gees, “I Wanna Dance With Somebody” de Whitney Houston ou o pop “Bad Romance” da cantora Lady Gaga cumprem perfeitamente essa métrica técnica, batendo na casa exata dos 120 bpm. Atualmente, ferramentas gratuitas na internet e o próprio Spotify facilitam a curadoria de faixas organizadas especificamente por essa contagem de batidas por minuto.

Muitos atletas se perguntam se trocar as canções por episódios de podcasts ou audiolivros traria o mesmo ganho de rendimento. Os especialistas explicam que conteúdos falados funcionam muito bem como entretenimento e distração para reduzir o tédio em treinos leves e de baixa intensidade. Contudo, a música detém propriedades matemáticas únicas de andamento, ritmo e apelo emocional que conversam diretamente com a passada e a intensidade física. Se a melodia certa ajuda o atleta a se manter focado e tolerar o esforço por mais tempo, ela consolida-se como uma das ferramentas de treino mais baratas e eficientes do mundo.

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