Aconteceu no dia 3 de novembro a sétima edição da Maratona Internacional Maurício de Nassau, prova que conta percursos de 5, 10, 21 e 42 quilômetros. Geralmente nos textos de reviews de provas a gente tenta se apegar ao que teve de bom e damos espaços para os corredores pontuar e avaliar o que teve de falhas e melhorias, mas enquanto corredores sentimos também a necessidade de dissecar todos os pontos daquela que deveria ser a principal corrida no calendário de corridas em Pernambuco e uma das maiores do nordeste.

Sim, sem exageros a Maratona Maurício de Nassau foi com certeza criada para ser uma das principais provas do nordeste. Conta-se nos dedos quantas são as provas de 42 quilômetros em nossa região. Além disso, é a corrida mais democrática de Pernambuco, levando em conta que nela participa o corredor de fim de semana até aquele cara experiente que já passou da marca de dez maratonas no currículo. Com todo esse potencial de grandeza ainda conta com a marca de uma instituição de ensino que a pouco tempo transformou-se em um centro universitário e em qualquer pesquisa de recall de marcas está entre as mais lembradas. Porque então tantas falhas?

Pra não dizer que não falamos das flores, alguns pontos da corrida foram positivos. Um deles foram os pontos de hidratação, que embora no início tenha servido água quente nos primeiros pontos que era comum para todos os corredores, não faltou até o fim de nossa participação. Percurso estava bem sinalizado, com staffs e prontidão médica circulando e, no pontos mais críticos como na Cabanga ou no trecho escuro próximo a Estação do Brum, policiais e segurança particular. No mais, os demais quesitos ficaram a desejar:

MUDANÇA DE DATA: Fosse uma prova de 5 ou 10 quilômetros, talvez fosse lá desconsiderado, contudo, levando em questão que é uma Maratona e ainda por cima um evento que leva o “Internacional” no seu nome, não pegou bem. Isso pelo fato que pra se participar de uma Maratona são necessários alguns meses de treino, pessoas vem de fora do estado e até do país, se planejam e antecipadamente compram suas passagens e hospedagens. Uma mudança de setembro pra dezembro quebrou todo esse planejamento. E a justificativa do adiantamento por conta das Olimpíadas do Rio não foi aceita por muitos…

ENTREGA DOS KITS: Este geralmente é o momento que todo corredor já começa a sentir o clímax da prova. Encontrar alguns colegas e amigos, pegar o kit, vestir a camisa do evento, tirar fotos… Tudo isso foi frustrado pela organização. A entrega estava marcada pra ser realizada na quinta e sexta-feira que antecedia a prova, mas na quinta-feira de manhã alteraram para a sexta e sábado. Quem não viu o comunicado logo cedo e veio do interior ou fora do estado, ou até os corredores locais mesmo, que pegou trânsito ou saiu mais cedo ou chegou mais tarde do trabalho se sentiu prejudicado. Não bastasse, o kit foi entregue incompleto, sem a camisa do evento, que só fora entregue horas antes da corrida e, mesmo assim, nem todo mundo teve direito. Os brindes do kit? Produtos que embora sejam patrocinadores do meu evento, nada tinha relação ou uso para a prática da corrida.

PERCURSOS: Foi o mesmo adotado na edição passada. Vale aqui ressaltar que o percurso apresentado é o que o poder público autoriza. Ou seja, nossos representantes talvez desconheçam o potencial turístico que uma corrida de rua possui, o que dirá então de uma Maratona Internacional? Diferentemente da edição de 2015, este ano contamos com a Via Mangue liberada nos dois sentidos, mas ao invés de criar um percurso contemplando as praias do Pina e Boa Viagem até o segundo ou terceiro jardim, mantiveram o mesmo traçado do ano anterior, passando pelo bairro da Cabanga com suas ruas estreitas e o cheirinho nada agradável do centro de tratamento de esgotos da Compesa. Outra falta de sensibilidade do poder público foi autorizar um show em pleno dia de maratona. Correr desviando de ambulantes e das pessoas que estavam bebendo ou conversando antes de entrar no local destinado ao show transformou este trecho do percurso em uma corrida de obstáculos. Das duas uma, ou a Maratona foi remarcada no dia do show ou foi o show que foi marcado no dia da Maratona.

KIT FINISHER: Talvez não tenha sido sentido pelos corredores das provas de 5, 10 e 21 quilômetros, mas quem participou da prova principal ficou na bronca. Quem fez os 42 quilômetros na marca das cinco horas ficou sem medalha. Quem deixou pra pegar a camisa ao fim da prova também ficou na mão. E o lanche foi uma garrafinha de suco industrializado, água mineral e uma banana. Voltando as medalhas, levando em conta que a prova foi concebida para ser uma das maiores da região, embora bonita, foi desleixo da organização fazer a mesma medalha para as quatro provas…

Enfim, este é um review que o Pernambuco Running não gostaria de fazer, mas como somos corredores, nos sentimos na obrigação de realizar. Apesar dos pesares, foi uma prova de superação e foi muito bacana ver as pessoas alcançando seus objetivos. No sábado o Recife viu novos corredores completando sua primeira prova nos 5 ou 10 quilômetros, participando de sua primeira meia-maratona e debutando centenas de maratonistas. No fim o que fica é a festa e a confraternização dos corredores. A gente deixa o espaço aberto para a organização da prova se retratar, pois todos merecem uma explicação. E quem organizou, um direito de resposta.

Participou também? Conta aí pra gente! Se você também participou, compartilhe com a gente a sua opinião aí nos comentários dê a sua nota no campo “votação do leitor”! O resultado oficial já pode ser visto no site www.maratonamauriciodenassau.com.br.

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