A corrida de rua no Brasil não é mais a mesma, e os números provam isso. A segunda edição da pesquisa “Por Dentro do Corre”, realizada pela Olympikus em parceria com a Box1824, revela que o país ganhou 2 milhões de novos corredores apenas no último ano, atingindo a marca histórica de 15 milhões de praticantes. Esse crescimento de 15% supera largamente o ritmo de expansão da população mundial.
Mais do que o aumento numérico, o estudo aponta para uma mudança radical no perfil de quem ocupa as ruas: a corrida está mais feminina, mais jovem e mais popular. Hoje, a comunidade é composta por uma divisão exata entre homens (50%) e mulheres (50%), com uma forte presença da Classe C, que agora representa 43% do total de praticantes.
O rejuvenescimento e a força feminina
Um dos dados mais impactantes da pesquisa é a queda na idade média do corredor brasileiro, que passou de 37 para 34 anos. Esse movimento foi impulsionado pela “Geração Z”: o grupo entre 18 e 24 anos saltou de 12% para 20% do total da base.
As mulheres também assumiram o protagonismo na renovação do esporte. Elas lideram a entrada de novos praticantes, com 56% tendo começado a correr há menos de um ano. Segundo Márcio Callage, CMO da Olympikus, a corrida deixou de ser um esporte de nicho focado apenas em performance.
“Hoje, correr é sobre pertencimento e bem-estar. O crescimento da Classe C e dos jovens reforça esse movimento de democratização. A corrida está mais acessível e conectada com o cotidiano do brasileiro”, afirma Callage.

Múltiplos olhares: Diversidade e Motivação
A pesquisa também traz recortes importantes sobre a composição racial e social dos corredores no Brasil:
- Perfil Racial: A comunidade é diversa, formada por 43% de brancos, 36% de pardos e 10% de pretos.
- Ranking Esportivo: A corrida já é o 4º esporte mais praticado no país (14%), atrás apenas de caminhada, musculação e futebol.
- Frequência vs. Distância: Embora a frequência semanal tenha caído (de 3,4 para 1,8 vezes), a distância média aumentou para 10,6 km por semana, sinalizando que quem corre, está correndo trajetos mais longos.
O desafio da segurança e a força dos coletivos
Apesar do entusiasmo, barreiras estruturais ainda persistem. A insegurança é um obstáculo para 32% das mulheres, o que explica a migração de muitas para treinos em academias ou ambientes controlados. Em resposta a isso, os grupos de corrida e assessorias ganharam força: o número de corredores “solo” caiu 8% em um ano.
Agora, esses grupos deixaram de ser apenas espaços de acolhimento para se tornarem centros de evolução técnica. Para Luisa von Mühlen, da BOX1824, a corrida entrou definitivamente no mainstream e encontrou formas de se sustentar culturalmente através da coletividade. Para 81% dos entrevistados, a corrida não é uma fase, mas um estilo de vida que pretendem manter pelos próximos anos.










