Os maiores corredores de longa distância do mundo têm algo em comum: quase todos são africanos. Quenianos, etíopes e ugandeses dominam o topo dos pódios desde as grandes maratonas da Major League até a tradicional São Silvestre. No entanto, por décadas, esses atletas calçaram marcas americanas ou europeias. Essa lógica acaba de ganhar um novo capítulo no Brasil com a chegada oficial da Enda.
Nascida no coração do Quênia, a marca — cujo nome significa “Vá!” em suaíli — inicia suas operações em solo brasileiro em abril de 2026. Mais do que uma nova opção nas prateleiras, a Enda chega com a missão de nacionalizar a narrativa do sucesso esportivo africano, unindo tecnologia de ponta a um propósito cultural profundo.
Do Vale do Rift para o asfalto brasileiro
Fundada em 2017 por Navalayo Osembo, uma empreendedora queniana formada pela London School of Economics, a Enda nasceu de uma indignação produtiva: por que o Quênia, a “Meca da corrida”, não tinha sua própria marca global de calçados?
O modelo de estreia, batizado de Iten, é uma homenagem direta à cidade montanhosa que serve de campo de treinamento para os principais campeões mundiais. Além dele, a marca traz ao Brasil o Lapatet, focado em treinos de longa distância, e modelos voltados para o trail running (corrida de trilha), todos com design que remete à ponta de flecha da bandeira do Quênia.
O diferencial: Identidade vs. Patrocínio
Enquanto as gigantes do setor “emprestam” a estética e o talento africano para suas campanhas, a Enda se posiciona como a própria fonte.
- Sustentabilidade: A marca opera com foco em emissão zero de carbono.
- Comunidade: O foco não é apenas a venda, mas o fortalecimento de ecossistemas de corredores.
- Design Biomecânico: Calçados desenvolvidos a partir do feedback dos próprios atletas de elite do Quênia.
A estratégia por trás da expansão no Brasil
A chegada da Enda ao Brasil é impulsionada pelo empresário ganês Nana Baffour, atual proprietário da marca e figura conhecida no mercado brasileiro por seus investimentos em tecnologia e moda premium.
Para liderar a operação local, a Enda escalou o treinador e influenciador Ademir Paulino. Mais do que um porta-voz, Paulino atuará no desenvolvimento de produtos e na criação de uma comunidade engajada. “A ideia é criar grupos de corredores, fazer curadoria de atletas e patrocinar provas que façam sentido para o estilo de vida ativo e consciente”, afirma a marca em comunicado.
O plano é agressivo: transformar o Brasil em um polo para a internacionalização da marca, aproveitando a paixão nacional pela corrida de rua, que se tornou um pilar central do bem-estar urbano pós-2020.
O mercado está pronto para uma “Challenger Premium”?
A entrada da Enda ocorre em um momento em que o consumidor brasileiro de alta performance busca alternativas às marcas tradicionais. O sucesso de marcas como On Running e Hoka pavimentou o caminho para marcas nichadas, mas a Enda traz um trunfo que nenhuma outra possui: a herança genética da vitória.
O que esperar da Enda no Brasil em 2026:
- Lançamentos exclusivos: Adaptação de modelos para o clima e solo brasileiro.
- Experiências imersivas: Training camps e eventos que conectam brasileiros à rotina dos atletas quenianos.
- Propósito social: Projetos de fomento ao esporte em regiões periféricas, replicando o modelo de impacto social aplicado na África.
A pergunta que fica para os corredores é: você está pronto para correr com quem realmente entende de vitória? A corrida pela preferência do consumidor brasileiro acaba de ganhar um competidor de peso.









