
A busca por uma vida mais saudável e ativa nunca esteve tão em alta, e com ela, o consumo de suplementos alimentares. Para os corredores amadores, que buscam melhorar o desempenho e acelerar a recuperação muscular após treinos intensos, a prateleira de produtos parece oferecer uma solução mágica. O mercado acompanha essa onda: entre março de 2024 e fevereiro de 2025, as vendas no Brasil registraram um crescimento expressivo de 37% em volume, segundo levantamento da Interplayers.
Mas, afinal, onde está o limite entre o autocuidado e o exagero, especialmente para quem tem na corrida seu esporte de paixão? O debate ganha ainda mais relevância quando se aproxima o dia 16 de outubro, data que celebra ‘Dia Mundial da Alimentação’, crucial para reforçar a necessidade de uma dieta equilibrada e do uso consciente da suplementação.
A ascensão dos suplementos entre os corredores
O crescimento do setor é impulsionado por um maior foco na saúde, no bem-estar mental e na otimização do desempenho físico. Enquanto o público geral busca produtos para imunidade e saúde cognitiva (como ômega-3 e cúrcuma), o corredor amador tem prioridades bem definidas: recuperação e energia.
Lígia Vieira Carlos, nutricionista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), confirma que os suplementos proteicos (como Whey Protein) e os focados em dar um up no treino (como Creatina e Carboidratos em Gel) seguem no topo das vendas. “A tendência é a busca por uma nutrição cada vez mais personalizada e transparente, com foco em ingredientes que realmente ajudem no objetivo específico, como resistir a longas distâncias ou recuperar-se rapidamente,” afirma a especialista.
Alimento vs. Suplemento: a fonte de energia na prática da corrida
Para um corredor, a forma como o corpo obtém energia e nutrientes é crucial. A nutricionista Lígia Vieira explica que a alimentação, rica em alimentos in natura, oferece um conjunto completo de nutrientes que agem em sinergia, algo que a suplementação, por ser isolada e concentrada, dificilmente replicará.
“A excelência na absorção e na complexidade metabólica para a prevenção de doenças está sempre nos alimentos. A suplementação é um complemento estratégico,” pontua Lígia.
É fundamental que o corredor entenda os tipos de suplementos e suas finalidades:
- Esportivos: Incluem as proteínas, aminoácidos e carboidratos em gel ou maltodextrina (essenciais para energia durante treinos longos), além de Creatina (para explosão e recuperação rápida) e Whey Protein (para reconstrução muscular pós-treino).
- Vitamínicos/Minerais: Destinados a complementar a ingestão diária, suprindo eventuais deficiências (como ferro ou vitamina D), vitais para o transporte de oxigênio e a saúde óssea do corredor.

O risco oculto do excesso e a orientação profissional
Apesar dos benefícios evidentes quando usados corretamente, a nutricionista Lígia Carlos faz um alerta grave: o uso sem prescrição, ou em excesso, pode trazer riscos sérios à saúde, como danos ao fígado e rins, além de interações medicamentosas.
Para o corredor amador, que muitas vezes se automedica baseando-se em tendências de redes sociais, o perigo é real. “O consumo inadequado de proteínas em pó, por exemplo, pode sobrecarregar rins e fígado em pessoas com histórico de doenças prévias,” alerta Lígia.
A suplementação é uma ferramenta, não um atalho.
Para quem corre, a decisão de suplementar deve ser baseada em exames de sangue ou avaliação clínica que comprovem uma deficiência ou uma necessidade nutricional específica imposta pela alta intensidade de treinos.
“A suplementação jamais substitui uma alimentação balanceada. É um auxílio, em situações específicas, e a saúde deve estar sempre acima de objetivos puramente estéticos ou de performance a qualquer custo. Crianças, adolescentes e idosos, especialmente, só devem usar suplementos com acompanhamento médico ou nutricional,” finaliza a especialista.








