Ele está entre os alimentos mais adorados do mundo e frequentemente aparece associado a benefícios para a saúde. Para celebrar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado neste dia 7 de julho, cientistas e nutricionistas desvendam o que é mito e o que é verdade sobre o impacto desse doce no organismo e como integrá-lo de forma inteligente na rotina de quem busca bem-estar.
Segundo a nutricionista Fabiana Cremer García, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife, as propriedades mais interessantes do cacau estão relacionadas aos flavonoides, especialmente os flavanóis, substâncias com potente ação antioxidante e anti-inflamatória. No entanto, o segredo do benefício está diretamente ligado ao processo de fabricação e à escolha do produto correto nas gôndolas.
Todo chocolate faz bem à saúde?
Isso é um grande mito. Nem todas as versões oferecem os mesmos efeitos protetores. De modo geral, quanto maior o teor de cacau na fórmula, maior tende a ser a concentração dos compostos bioativos. Chocolates com baixo percentual de cacau e grandes quantidades de açúcar refinado e gordura hidrogenada, como é o caso do chocolate ao leite e do chocolate branco, apresentam concentrações mínimas dessas substâncias saudáveis. O ideal é investir em versões que tenham na composição 80% ou mais de cacau.
Por outro lado, o cacau em pó 100% puro é uma excelente fonte de fibras. Dependendo da marca e do processamento industrial, ele pode conter entre 30% e 35% de fibras alimentares em sua estrutura, o que representa cerca de 2 a 3 gramas do nutriente em apenas uma colher de sopa. Uma dieta rica em fibras ajuda a prolongar a sensação de saciedade e contribui para o bom funcionamento do intestino.
Benefícios comprovados para o coração, circulação e humor
Diversas revisões científicas mostram que os flavanóis do cacau podem melhorar a função dos vasos sanguíneos e favorecer a circulação. Uma meta-análise publicada no renomado American Journal of Clinical Nutrition observou melhora significativa da dilatação dos vasos após o consumo regular de cacau rico em flavanóis. Esse mecanismo facilita o fluxo sanguíneo e atua como um importante indicador de proteção cardiovascular.
Além da ação vascular, o chocolate amargo é um aliado do bem-estar mental. O cacau contém compostos bioativos que interagem diretamente com o sistema nervoso central, como a teobromina, a feniletilamina e pequenas doses de triptofano, um aminoácido essencial que atua como precursor da serotonina. Embora o efeito seja temporário e não substitua tratamentos de saúde mental, as pesquisas sugerem que o consumo de chocolate amargo promove sensação de prazer.
O alimento também funciona como um combustível para as defesas do corpo e do sistema digestivo. Rico em compostos fenólicos como a epicatequina e a catequina, o cacau ajuda a neutralizar os radicais livres que causam o envelhecimento celular. No trato gastrointestinal, os polifenóis servem de alimento para a microbiota benéfica, favorecendo o crescimento de bactérias dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium, promovendo um microbioma mais equilibrado.
Chocolate engorda e diabéticos podem consumir?
Mais dois mitos que a ciência ajuda a desmistificar. Nenhum alimento isolado tem a capacidade de determinar o ganho de peso. O aumento ou a perda de gordura corporal dependem do balanço energético global e dos hábitos do indivíduo. Portanto, o chocolate pode fazer parte de uma alimentação saudável diária, desde que consumido em porções adequadas. Uma porção entre 20 e 30 gramas de chocolate amargo com alto teor de cacau é uma quantidade equilibrada para aproveitar os benefícios.
Da mesma forma, pessoas com diagnóstico de diabetes não precisam obrigatoriamente eliminar o doce do cardápio. O fator decisivo para esse público é considerar a quantidade total consumida, monitorar o teor de açúcares adicionados e adequar o alimento dentro do contexto geral da dieta e do controle glicêmico orientado pelo médico ou nutricionista.









