Canjica, pamonha, bolo de milho, pé de moleque. Nessa época do ano, resistir às comidas típicas das festas juninas vira um verdadeiro desafio para quem mantém uma rotina ativa. No entanto, é totalmente possível aproveitar o período mais festivo do Nordeste sem peso na consciência e sem abandonar o ritmo das atividades físicas. De acordo com o personal trainer da Selfit Academias, Júlio Machado, que também possui formação em nutrição, o grande segredo para aproveitar o período está na compensação inteligente ao longo do dia.
“Não é sobre se privar, mas sobre fazer boas escolhas na maior parte do tempo e abrir espaço para aproveitar as comidas típicas sem exageros”, explica o especialista. Na prática, esse cuidado estratégico começa bem antes de o folião chegar ao pátio de eventos ou ao arraial. Manter uma alimentação equilibrada nas refeições principais e evitar longos períodos em jejum são atitudes que ajudam a controlar o apetite tardio. Júlio orienta que evitar sair de casa com fome já ajuda a fazer escolhas muito mais conscientes, evitando os temidos excessos diante das barracas.
A recomendação para quem vai curtir a noite é simples: eleger as opções que realmente se tem vontade de consumir, em vez de tentar experimentar todos os pratos disponíveis de uma só vez. Ingredientes tradicionais do ciclo junino, a exemplo do milho e da macaxeira, são excelentes fontes de energia e carboidratos complexos, podendo contribuir significativamente para o rendimento de quem pratica atividade física diária. O cuscuz aparece como uma opção prática e de fácil digestão para o pré-treino, enquanto o amendoim atua como um forte aliado na saciedade, desde que consumido com moderação por ser calórico.
Atenção aos preparos e nada de compensações radicais
O principal ponto de atenção deve se concentrar nas preparações mais elaboradas e tradicionais da culinária regional. Receitas clássicas como canjica e pamonha costumam levar generosas quantidades de açúcar, leite condensado e gordura em suas bases de cozimento, elevando drasticamente o valor calórico total do alimento. “O problema, muitas vezes, não é o alimento em si, mas a quantidade e a forma de preparo”, destaca o profissional de saúde e educação física.
Caso o exagero aconteça durante as noites de comemoração, a recomendação principal dos especialistas é não recorrer a medidas radicais ou punitivas no dia seguinte. Retomar imediatamente a rotina alimentar habitual e caprichar na hidratação com bastante água são os caminhos mais eficazes para recuperar o organismo. “Não adianta tentar compensar com restrições severas ou excesso de treino. O ideal é voltar ao padrão e manter o equilíbrio ao longo dos dias”, orienta Júlio Machado.
A prática regular de atividade física ajuda o organismo a lidar melhor com os excessos calóricos temporários, mas não deve ser encarada sob uma lógica de barganha ou punição pelo que foi ingerido. O especialista finaliza lembrando que o treino contribui diretamente para metabolizar melhor tudo o que foi consumido no arraial, mas o fator mais importante de todos para a saúde a longo prazo continua sendo a manutenção da regularidade.









