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Correr e doar sangue: saiba como o ato solidário afeta o corpo e o rendimento esportivo

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Doar sangue é um dos atos de solidariedade mais nobres e necessários para a saúde pública. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que apenas 14 em cada mil habitantes doam sangue regularmente — o que representa menos de 1,5% da população nacional, taxa abaixo dos 2% ideais estipulados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Entre a comunidade de corredores de rua, o tema muitas vezes ainda é visto como um “tabu”. Diferentes investigações indicam que atletas amadores, especialmente os mais jovens, são os menos propensos a comparecer aos hemocentros devido ao receio de que a retirada do sangue possa prejudicar o rendimento esportivo ou interromper os treinos da planilha.

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A verdade é que quem corre pode e deve doar sangue, desde que adote um planejamento estratégico de recuperação, já que o procedimento influencia temporariamente a fisiologia do organismo. Durante a coleta, o voluntário perde cerca de 10% do seu volume sanguíneo total, o que gera uma redução imediata na concentração de hemoglobina e nos estoques de ferro. Como o ferro e os glóbulos vermelhos são os grandes responsáveis por transportar o oxigênio até os músculos esqueléticos, a capacidade aeróbica fica debilitada nas horas seguintes, fazendo com que a fadiga e o cansaço apareçam muito mais cedo caso o indivíduo tente fazer esforço.

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O tempo de recuperação biológica e os prazos para voltar a calçar o tênis

Para quem pratica atividade física com regularidade, os tempos de regeneração interna do corpo seguem uma linha cronológica muito bem definida pela medicina. O volume total de plasma circulante é o primeiro a se restabelecer, levando de 4 a 6 horas para retornar ao nível habitual após a ingestão de líquidos. Os glóbulos brancos necessitam de cerca de 12 horas, enquanto as plaquetas levam três dias para a recomposição total. O processo mais lento é o dos glóbulos vermelhos (hemácias) e do ferro, que podem exigir de três semanas a até dois meses para atingir a restauração completa pré-extração.

Diante dessas adaptações circulatórias, o repouso imediato é obrigatório. De acordo com a médica cardiologista Mariana James, o corpo exige um repouso absoluto no dia da coleta para evitar complicações. “Quando doamos sangue perdemos volume sanguíneo, oxigênio e nutrientes. Por isso, é necessário darmos um tempo para o organismo se recompor”, orienta a profissional. Endossando a recomendação, a médica hematologista Luiza Lapolla alerta que tentar correr logo após o procedimento abre margem para quadros graves de desidratação e acidentes físicos. “O seu corpo precisa de 24 a 48 horas para restabelecer a quantidade de plasma doada, e se exercitar fortemente antes disso pode levar a sinais de desidratação, desmaio e tontura”, detalha.

Na prática das assessorias esportivas, os treinadores sugerem um ajuste fino na intensidade da planilha. O renomado treinador Nelson Evêncio, presidente da Associação de Treinadores de Corrida (ATC), ressalta que o atleta deve pausar os estímulos fortes nos dias que cercam a boa ação. “Você não deve correr um dia antes e nem um dia depois por causa das adaptações circulatórias. Demora umas três a quatro semanas para a recuperação total, mas é só não treinar muito forte nesses dias”, aconselha Evêncio. Além disso, os especialistas são unânimes: se você estiver no pico de preparação para um evento de altíssima exigência de longa distância, como uma maratona ou uma prova de Ironman, o ideal é esperar o término da competição para fazer a doação.

Estratégias de hidratação, nutrição e regras para o doador

A preparação para o dia da doação começa muito antes de sentar na cadeira do hemocentro, tendo a hidratação como o principal pilar de segurança. Os médicos recomendam reforçar a ingestão de água 24 horas antes do procedimento, intensificando o consumo nas três horas que antecedem a coleta com pelo menos quatro copos grandes de líquido. Na parte nutricional, o doador jamais deve comparecer em jejum prolongado (acima de 12 horas), sendo fundamental realizar uma refeição leve e livre de gorduras saturadas antes de ir ao banco de sangue. Após a retirada, o voluntário deve permanecer em repouso na sala de espera por 15 minutos, evitando esforços ou movimentos bruscos pelo resto do dia.

Para acelerar a volta aos treinos normais e blindar o corpo contra o risco de anemia, a alimentação pós-doação deve priorizar alimentos ricos em ferro, como carnes vermelhas magras, leguminosas (feijão e lentilha) e vegetais de folhas verde-escuras. A dica de ouro para os corredores é associar essas refeições ao consumo de suco de laranja ou frutas cítricas, pois a presença da Vitamina C potencializa drasticamente a absorção e a assimilação do ferro pelo trato digestivo.

Para estar apto a doar, o atleta deve pesar no mínimo 50 kg e respeitar os intervalos máximos permitidos por lei no Brasil: homens podem realizar até quatro doações anuais com intervalo mínimo de 60 dias, enquanto as mulheres podem doar até três vezes por ano, respeitando a pausa de 90 dias entre os procedimentos. Cumprindo esses cuidados simples, o corredor protege a própria saúde, mantém a evolução dos treinos e salva vidas.

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