
O Brasil vive um paradoxo esportivo: embora a imensa maioria da população (93%) manifeste o desejo de se movimentar, apenas 44% conseguem sustentar uma rotina de atividades físicas. Os dados são de um estudo inédito da Decathlon, em parceria com a Consumoteca, intitulado “O novo significado do esporte no Brasil”. A pesquisa revela que o principal entrave para o país não é a falta de interesse, mas sim barreiras estruturais que impedem que o exercício se torne um hábito consolidado.
De acordo com Michel Alcoforado, antropólogo e sócio-fundador da Consumoteca, o problema é situacional. “O brasileiro não tem um problema com o esporte. Tem um problema com as condições para praticar. Existe desejo, mas ainda faltam caminhos possíveis para transformar isso em rotina”, afirma. O estudo aponta que a falta de motivação (45%), a escassez de tempo (39%) e o custo (31%) são os principais fatores que freiam o movimento da população.

Esporte como identidade e saúde mental
Apesar das dificuldades de consistência, a percepção sobre o exercício mudou. O esporte deixou de ser apenas uma busca por estética ou desempenho para se tornar parte da identidade do brasileiro. Segundo o levantamento:
- 72% afirmam que a atividade física define quem eles são;
- 50% utilizam o exercício como ferramenta principal contra estresse e ansiedade;
- 82% preferem conhecer novas pessoas em ambientes esportivos do que em aplicativos de relacionamento.
Essa conexão entre corpo e mente é um divisor de águas: entre as pessoas sedentárias, 50% relatam uma vida dominada pela dimensão mental, evidenciando uma desconexão com o próprio corpo. Já para quem pratica, o esporte funciona como um eixo estruturante da rotina e um espaço de pertencimento social.
O descompasso entre o que se pratica e o que se deseja
A pesquisa também destaca que os brasileiros muitas vezes praticam o que é “possível” e não o que realmente gostariam. Enquanto a caminhada e a musculação dominam por terem barreiras de entrada menores, há um desejo reprimido por modalidades como natação, artes marciais e esportes de areia. Por exemplo, 27% dos entrevistados gostariam de nadar, mas apenas 8% conseguem praticar a modalidade.
As desigualdades também moldam essa relação. A Geração Z, embora muito interessada, apresenta menor consistência (43% ativos) do que os Millennials (49%). No recorte de gênero, as mulheres enfrentam barreiras mais complexas, como a falta de segurança e responsabilidades domésticas, com 16% relatando já ter sofrido assédio ou discriminação durante a prática. Para Liana Kerikian, Diretora de Marketing da Decathlon Brasil, o foco agora deve ser a viabilização: “O desafio hoje não é convencer as pessoas a se exercitarem, mas tornar essa prática possível dentro da realidade delas”.








