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Suplementação alimentar: necessidade real ou exagero?

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Suplementos alimentares
Suplementação alimentar – necessidade ou exagero?

É cada vez mais comum ver praticantes de musculação e corrida — inclusive adolescentes — iniciando a suplementação por conta própria ou seguindo dicas de influenciadores digitais. Esse cenário, no entanto, acende um alerta entre profissionais de saúde. O consumo sem orientação pode causar fadiga extrema, insônia, queda de desempenho e até mesmo alterações em órgãos vitais.

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Segundo a profissional de Educação Física Gleice Candido, do CER IV M’Boi Mirim (unidade gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo), suplementos podem, sim, ser úteis quando bem indicados: ajudam na recuperação muscular, previnem lesões e podem otimizar resultados de treinos de força e também de resistência, como os da corrida. Mas, como ela destaca, apenas um profissional pode avaliar a real necessidade e indicar o tipo correto para cada objetivo.

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O que diz a regulação

Desde 2018, os suplementos alimentares são regulados pela ANVISA e destinados a pessoas saudáveis, com a função de complementar a dieta por meio de nutrientes, enzimas, probióticos ou substâncias bioativas. A regulamentação unificou diferentes categorias e estabeleceu padrões de segurança, composições permitidas e alegações científicas. Ainda assim, o uso desenfreado segue sendo um desafio.

Entre os produtos mais populares estão os pré-treinos, que concentram altas doses de cafeína e outros estimulantes. “Esses compostos prometem mais energia e foco, mas podem provocar taquicardia, agitação, tontura e riscos sérios para quem tem histórico de hipertensão, arritmias ou problemas cardiovasculares. Muitas vezes a pessoa acredita que vai render mais, quando, na prática, a concentração e até a segurança durante o exercício ficam prejudicadas”, reforça Gleice.

Suplemento não substitui hábito

Para a especialista, a suplementação não deve ser encarada como requisito obrigatório para bons resultados. “É a combinação de alimentação saudável, treino planejado, descanso e consistência que gera impacto real”, explica.

A nutricionista Camila Lucena, da UBS Alto da Ponte (unidade também gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria de Saúde de São José dos Campos), complementa que não há dose padrão universal. A necessidade varia conforme composição corporal, exames, rotina e objetivos de cada pessoa. E o uso prolongado ou desnecessário pode sobrecarregar rins e fígado, além de causar distúrbios digestivos e interações medicamentosas.

“Alcançar bons resultados sem suplementos é perfeitamente possível, especialmente para quem não é atleta profissional. Muitas pessoas gastam com whey protein, mas esquecem que alimentos como iogurte, ovo, feijão, leite e carnes magras podem suprir a necessidade proteica de forma eficaz”, afirma Camila.

Alternativas simples e acessíveis

Para praticantes de corrida ou musculação, combinações caseiras podem cumprir bem o papel de suporte energético. Como opção de pré-treino, a nutricionista sugere banana com aveia ou pão integral com mel, que fornecem energia de forma equilibrada. Já no pós, alternativas como iogurte com frutas, sanduíches com proteína ou smoothies caseiros ajudam na recuperação muscular com praticidade e sem riscos.

As especialistas destacam ainda que um dos grandes obstáculos está na pressão por resultados rápidos. Muitos corredores e frequentadores de academia acreditam que só podem treinar bem se tiverem suplementos caros ou seguirem rotinas rígidas de influenciadores digitais. O resultado é o abandono precoce. “O que realmente funciona é começar com o que se tem, manter a constância e buscar orientação adequada”, reforçam.

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