Há quem diga que a loucura mora no corredor. Todos já ouvimos em algum momento, na trajetória running, “você é louco por fazer isso”. E somos mesmos. Dentro do corredor há uma loucura de desafiar-se constantemente e ir além.

Entretanto, alguns elevaram o nível de loucura e viram boas histórias. “Rolê aleatório”, como diz a colega Natália Lopes do Foco Radical. Aquela coisa que você nunca se imaginaria fazendo e um dia já fez.

Loucuras pré corrida

Uma conversa com um atleta rende muitas histórias boas e muitas gargalhadas. A loucura mais comum, e motivo de arrependimento constante, é sair de uma festa direto para a corrida. O aniversariante ficará chateado se você for e a inscrição já tá paga. “Dá para ir para os dois”, pensa o jovem Jedi rumo a sua guerra estelar de dois compromissos em um período curto de tempo. O arrependimento vem logo no primeiro km com um cansaço digno de uma participação em uma rave.

Pior quando se bebe a noite toda e vem aquele pensamento “consigo correr assim de boa”. Cada passada é uma lamúria, o corpo cansa, bebe-se água como um camelo solto em uma lagoa pela primeira vez e o arrependimento bate na hora. “É, correr embriagado é uma droga”, pensa o arrependido.

Sair de casa com o tempo apertado para um evento sem saber onde fica a largada é uma loucura divertida. Uma amiga estava chegando atrasada e ficou com o carro no meio da via, circular pelos corredores porque já tinha largado rindo de nervoso porque tinha que esperar apenas 1600 pessoas passarem e rezar para não ser multada.

E ir para a cidade errada? Meu colega se confundiu e foi parar em Carpina quando na verdade a corrida era em Recife mesmo, cidade de onde ele mora. Confundiu as datas.

Durante a prova

Testar lanchinhos, isotônicos e carbogel durante a prova sem nunca ter provado um na vida é considerado uma loucura entre os especialistas. Essa que vos escreve não tem mais dedos para contar quantas histórias legais renderam esses testes. Enquanto fotógrafa, já vigiei o caminho para uma paradinha rápida ao banheiro de atleta, hein? Há relatos por aí de quem já usou a meia como papel higiênico.

Correr com tênis de passeio em corrida de rua rende algumas gargalhadas, em especial em longas distâncias. O calçado não aguenta e lá vai o corredor voltando com a sola do sapato na mão. Nas trilhas é a mesma coisa, mas muito mais divertido porque ainda tem lama para animar.

Será que você já encontrou alguém no percurso de 21 km quando ele se inscreveu para 5 km? Já aconteceu comigo. Conversando, o cara estava super cansado e comentou que o retorno nunca chegava. De repente eu vi o número do peito dele e questionei para quantos quilômetros era a sua inscrição. Ele, distraído e com fone de ouvido, perdeu a placa de retorno e seguiu adiante. Infelizmente pegou a primeira ambulância, mas estava feliz porque tinha feito 11 km já.

Conheci um cara que encheu a mochila de hidratação dele de Coca-Cola. A ideia parecia maravilhosa porque ele ia alternar seu “isotônico poderoso” com a hidratação da corrida. Não leu o regulamento que, na trilha, não iria ter água. A Coca-Cola dá sede, não tinha água ao longo de 16 km de percurso e era de 21 km. Até eu senti sede junto com ele de tanto comentário.

Tive outro que encheu a mochila com 2 litros de cerveja. A cerveja ficou péssima, encheu de água e o gosto ficou péssimo. Aprendizados em rolês aleatórios.

E a menina que foi trocar a aliança de dedo porque estava escorregando enquanto corria e perdeu? Mais de 30 pessoas viram suas lágrimas e pararam para finalizar o “drama da aliança de casamento perdida”. Achamos distante porque ela era veloz, jogada no mato, mas achamos.

O mais engraçado até hoje foi ver um cachorro exausto com camiseta do evento e número de peito nas costas sentado na pista. Parei, dei água da minha hidratação e esperei. Uns 5 minutos depois veio a dona do animal que, correndo plena, não tinha percebido que seu melhor amigo tinha cansado e se soltou da guia rapidinho(cachorros com guia folgada usam o acessório quando querem e se soltam quando querem também viu?). Nada aconteceu, mas por um momento achei que o cachorro tinha se inscrito e ido sozinho mesmo.

Loucuras rendem boas histórias

Vivenciar loucuras faz parte da vida de todos e geram aprendizados. Às vezes dá uma dorzinha, talvez umas idas ao banheiro (o mato ou a primeira árvore disponível), mas o que vale é rir de tudo depois.

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