O print de foto: uma polêmica na corrida

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Talvez mais do que “caminhar não é correr” e “tênis de placa é essencial”, o print de fotos nas corridas de rua gera discussões e polêmicas. O fotógrafo de corrida está lá em todos os eventos para registrar os momentos e o atleta pode ou não comprar a foto. Ele não pediu pela presença do fotógrafo. Mas se ele está lá, por que não comprar? Ou printar? Eis a questão.

O produto do fotógrafo é a foto

O fotógrafo de corrida de rua é um profissional da área de imagem o qual dedica seu tempo a registrar atletas em diferentes tipos de corrida. Tanto faz ele ir na pista ou em uma trail. Ele vai onde o atleta está, faz o click e coloca em uma plataforma de vendas no pós prova para o atleta comprar.

Ele trabalha na rua, de pé, sentado e até deitado no asfalto quente. Coloca o equipamento exposto em condições climáticas e de segurança nas vias para fazer aquele registro. Ninguém o chamou, ninguém pediu e ele está por lá. Às vezes o evento convida a equipe e eles vão, todos a postos de 3h da manhã, 2h… tanto faz.

E o produto de seu trabalho é a foto. Alguns produzem roupas, outros pintam panos de prato e outros criam projetos arquitetônicos ou ainda reparam bikes. Ele vende fotos para quem quiser adquirir o registro.

É uma das profissões da imagem mais antigas do mundo da imagem e que perdura mesmo na era das GoPros e smartphones. O seu produto é a foto e é com ela que ele paga seus custos e se mantém na profissão.

E como o fotógrafo vê o print?

Para o atleta é simples. Ele não pediu para ter seu registro, a foto já foi feita. Portanto, ela está disponível para ele fazer o que quiser. Então ele pode printar. 

Até pode. Afinal, o botão PrtSc está em todos os teclados e segurando dois botões do celular se faz o mesmo. Tudo bem. Contudo, há um pouco além disso. 

Imagine que você quer trabalhar vendendo bolos e faz o seu primeiro. Gastou uns R$ 50 com materiais, algumas horas de trabalho, preparou a embalagem e foi oferecer a seus amigos. Cada um pegou uma fatia para experimentar e, na próxima, eles compram. 

Acontece com o segundo e com o terceiro. Em algumas semanas você gastou R$ 150 reais e horas de trabalho. Todos experimentaram a sua criação mas o bolso agora está em saldo negativo. 

Pois com a fotografia acontece algo parecido. Equipamento fotográfico custa caro. E, diferentemente de panelas para fazer um bolo que basta lavar que estão novos, exige uma manutenção com mão de obra específica. E ela é cara. E quanto quebra….nem ouso comentar quanto custa o reparo de um obturador de máquina ou a limpeza para remover os danos da água de chuva que caem durante os eventos.

Que tal não fazer?

O tal de printar é simples, mas o recado dado é complexo e entristecedor. Quando você printa e posta em redes sociais está dizendo que, por mais trabalho que haja envolvido nesta imagem, não está afim de comprar. 

Ou você até reconhece que é uma boa foto, que o equipamento é caro e o fotógrafo de corrida de rua acordou bem cedo. Contudo, não vai gastar dinheiro com isso. O que é uma ironia porque há fotos de R$ 10 mas o kit da corrida custa R$ 150. Quanto vale a lembrança de um bom momento? Fica a ideia de reflexão.

O mais louco é quando o atleta posa para a foto, passa na frente dos outros inscritos no evento mas com zero vontade de comprar. Ele aguarda o print. Ele sabe que você está trabalhando mas é um “pronto caro”, mas ele quer. Só não quer pagar com ele. É como no exemplo do bolo. A fatia tava uma delícia, mas só degustação mesmo. “Não vou comprar não, obrigada”.

Se você curte a presença de um fotógrafo na corrida de rua, repense sobre o print. Comprar uma foto apenas de uma corrida seria muito bacana, mas não é obrigatório. O print, entretanto, dói tanto quanto uma declaração que “seu trabalho é uma bosta”.

No mundo perfeito cada atleta compraria ao menos uma foto e todos conseguiriam viver felizes. Mas, infelizmente, há várias poses na pista, sorrisos e prints. Seguimos para a próxima polêmica do Papo Running.

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