A corrida conquistou milhões de adeptos nos últimos anos e se consolidou como uma das atividades físicas mais populares do país. No entanto, um termo que tem chamado a atenção nas redes sociais é o chamado “rosto de corredor” (runner’s face), usado para descrever uma aparência mais magra e com linhas de expressão aparentes em pessoas que praticam a modalidade regularmente. Mas será que o esporte realmente acelera o envelhecimento da pele?
Segundo a professora do curso de Biomedicina da Faculdade Anhanguera, Juliana Brum, a atividade física, por si só, não é responsável pelo envelhecimento precoce. “A corrida traz inúmeros benefícios para a saúde e não deve ser encarada como uma vilã. O que acontece é que alguns fatores associados ao estilo de vida dos corredores podem influenciar a aparência da pele”, explica a especialista.
O que é, afinal, o “rosto de corredor”?
O termo se popularizou para descrever rostos com aspecto mais encovado e com maior evidência de sulcos e linhas de expressão. De acordo com a biomédica, isso ocorre principalmente em função da redução significativa do percentual de gordura corporal global.
Como a corrida é uma atividade de alto gasto calórico, quem treina com constância tende a perder peso. A perda de gordura facial é um processo natural desse emagrecimento e se torna mais perceptível em indivíduos que mantêm baixos índices de gordura no corpo. Portanto, a flacidez ou a perda de volume são decorrentes da perda dos coxins de gordura que sustentam a face, e não uma destruição direta da pele provocada pelo esporte.
Os verdadeiros vilões: Sol e Desidratação
Se o movimento da corrida em si não envelhece, os hábitos ao redor do treino em ambientes externos merecem atenção redobrada:
- Exposição solar sem proteção: Quem costuma correr ao ar livre precisa se atentar contra a radiação ultravioleta. A exposição frequente ao sol sem a barreira adequada é a principal causa do fotoenvelhecimento, responsável por destruir as fibras de colágeno e elastina, além de favorecer o aparecimento de manchas.
- Como prevenir: O uso diário de protetor solar (tênis no pé, protetor na pele) é indispensável, inclusive em dias nublados. Bonés, viseiras e óculos escuros com proteção UV são equipamentos obrigatórios.
- Desidratação sistemática: A perda intensa de líquidos e eletrólitos através do suor durante os treinos, quando não compensada de forma imediata, prejudica o viço da pele. Sem água em níveis adequados, a derme perde elasticidade, apresentando um aspecto ressecado e sem brilho.
O exercício físico continua sendo o maior aliado
Apesar dos mitos propagados na internet, os benefícios da corrida superam qualquer impacto estético. A prática regular melhora drasticamente a circulação sanguínea, otimizando a oxigenação e a entrega de nutrientes para as células da pele, além de auxiliar no controle do estresse e promover o envelhecimento saudável.
“A prática regular de exercícios está associada à melhora da saúde como um todo. O importante é associar a atividade física a hábitos de autocuidado, especialmente em relação à proteção solar e à hidratação”, conclui Juliana Brum.









