Início Resenha de Corrida Uma maratona é longa demais pra você? Pense de novo.

Uma maratona é longa demais pra você? Pense de novo.

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Momentos antes da largada, que aconteceu às 4h30, para a Maratona. | Foto: Washington Vaz

O último domingo foi dia de maratona no Nordeste. E teve bronca pesada, viu? Em Natal, faltou água nos postos de hidratação, um erro gravíssimo em qualquer corrida — e ainda mais em uma maratona, onde o corpo pede reposição o tempo todo. Já em Olinda, a ameaça era de chuva, mas São Pedro segurou. Cenários diferentes, mas o desafio era o mesmo: encarar 42 quilômetros de cabeça erguida.

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E vamos combinar: não importa se você é estreante ou tem maratonas no currículo, os 42K nunca parecem curtos. Eu mesmo, já fiz 14 vezes essa distância. Cada uma com um drama ou comédia diferente. Quem diz que maratona passa rápido, tá contando só metade da história. Correr por mais de uma hora já exige muito. Agora imagina dobrar, triplicar isso. É aí que o temido “muro” aparece — e ele não é só físico: ele é mental também.

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Na largada, tudo é festa. Emoção, música, energia no alto. Mas depois de um tempo, o silêncio aparece. A mente começa a cobrar, o corpo pesa, o foco se perde. No caso de uma prova como a Maratona Internacional FMO que havia pouco mais de 200 inscritos nos 42 km, aquele sentimento de solidão. E o pensamento vem: “pra quê, mesmo, eu inventei isso?”

É aí que mora o segredo: saber que vai ser difícil, que vai doer, que vai parecer longo. Quem entra nessa iludido com a empolgação da largada, quebra. Mas quem já aceitou que vai sofrer um bocado… esse chega no final inteiro — e sorrindo.

Dicas de maluco pra completar os 42K (e ainda sorrir no final)

Quer uma dica prática? Faça contas enquanto corre. Sério. Isso ajuda a mente a se distrair e o tempo passa mais fácil. Quando você passa o km 6, já foi 1/7 da prova. No km 14, 1/3. No km 21, metade. E aí vira jogo de motivação: “só falta 1/3!”, “só mais 1/6!”.

Se o seu relógio dá alerta a cada quilômetro, mude pra avisar a cada dois. Menos ansiedade, menos cobrança. Ninguém precisa saber o tempo exato de todos os 42 km. A maratona é sobre constância, não sobre milímetros. No final das contas a medalha é a mesma. O sentimento de vitória por ter concluído também.

Outra dica boa: observe o percurso. Tente lembrar do mapa, adivinhe a próxima curva, conte placas, leia camisetas, descubra de onde são os corredores ao seu redor. Cada distração é bem-vinda.

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E se bater o cansaço, lembra do tanto que você já treinou (se é que você treinou né?).  Foram meses, centenas de quilômetros, milhares de minutos correndo. Comparado a isso, a maratona é só o fechamento de um ciclo. É só a festa depois do esforço.

No fim das contas, a gente corre porque ama — mesmo quando falta água, o sol torra ou o trajeto parece eterno. A gente corre porque sabe que completar uma maratona é mais do que cruzar uma linha de chegada: é escrever uma história com o próprio corpo.

Pode parecer loucura — e talvez seja mesmo. Mas é uma loucura que nos transforma. E quando você cruza o pórtico, cansado, dolorido, mas inteiro, você entende: valeu cada passo.

Maratona de João Pessoa, em 2023. Foto de Lidianne Andrade, do Foco Radical.

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