O corredor pipoca é um tema arriscado e indigesto para qualquer envolvido com a corrida de rua. “Afinal, a rua é pública”, declaram abertamente quando são banidos de um evento. Contudo, eles são temas das rodas de conversa e grupo de WhatsApp dos organizadores com certeza. O motivo? Segundo os envolvidos na organização de um evento, eles são um problema. 

Existem vários tipos de pipoca e falamos deles no episodio do Papo Corrida. Vamos nos ater àqueles que fazem o percurso, de vez em quando tomam uma água mineral e vão para casa sem pagar nada. Este é um simples corredor que por vários motivos pessoas não pagou inscrição. Será que ele atrapalha o evento no geral?

Como mensurar os gastos com quem não paga?

A resposta é sim. O número de pipocas na pista não permite ao organizador mensurar de forma clara o que ele precisa para a sua corrida seja organizada. Ele precisa de apenas uma faixa da pista ou duas? Depende do número de inscritos porque não dá para mensurar quantos vão sem número do peito. Um exemplo claro foi a Corrida Eu Amo Recife de 2021, com disputa ferrenha no percurso dos 5 km dos atletas inscritos e não inscritos. Uma invasão total da pista. 

E quantos copos de águas são suficientes para suprir a demanda de inscritos de forma satisfatória e confortável? Depende. E aí cria-se outra situação: negar água a alguém. Porque no fundo, não entregar água a um corredor não inscrito significa negar água, um item simples e barato demais para ser negado. “Não se nega água a ninguém”, já dizia vovó. E temos uma situação chata que nenhum organizador quer ser o grande vilão. Mas nenhum atleta quer deixar de beber água, pagando ou não por isso.

E quando eles passam no pórtico e atrapalham a contagem da arbitragem? Porque, infelizmente, temos elite na pipoca correndo com os primeiros lugares que ganham até narração com emoção, passam na faixa de chegada e desnorteiam os staffs. Muitos dos vencedores de eventos perderam o glamour de sua chegada porque um pipoca cortou a faixa finisher antes.

Além disso, pipocas dividem o kit: um usa o número e o outro a camiseta. Gera o desconforto de os staffs não saberem quem merece a medalha ou não, quem pega kit de hidratação ao final. E acaba com a situação de ter atletas na pista e as medalhas e os lanches finalizaram

Se tem pipoca demais, não é bacana fazer evento

O corredor pipoca desestimula o organizador. Muitas empresas receiam enveredar para cidades às quais os pipocas tomaram conta. Outras não voltam porque as perdas são maiores que os ganhos. Infelizmente, para querer um grande evento com selo nacional, por exemplo, em sua cidade, quando se trata de corrida, é preciso estimular a inscrição. 

E sim, corrida de rua é um comércio, gera lucro e os organizadores ganham com isso. Contudo, apenas com dinheiro eles são realizados.

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