A fotografia de corrida é um serviço à parte em alguns eventos. Quando a organização não disponibiliza fotógrafo para o registro e fornecer a imagem gratuitamente, eis que surgem empresas as quais realizam esta prestação de serviço. A proposta é simples: realizar o registro do momento especial do corredor na pista. Eles colocam em um site e o atleta compra se quiser.

Como tudo envolvendo os eventos, esta foto tem um custo. É vendida individualmente ou em pacotes com todas as fotos disponíveis nos sites. A média de valor vai de R$ 6 a R$ 18, a depender da qualidade da imagem e do site. É um valor alto? Alguns acham justo diante do trabalho envolvido, outros um “assalto”, “roubo” e outros substantivos atribuídos a quem faz este registro.

Afinal, a foto é cara ou não? Depende do seu ponto de vista.

Quem são esses caras que tiram foto sem pedir?

Os fotógrafos esportivos específicos para corrida de rua, duathlon ou triathlon são profissionais da área de fotografia que podem trabalhar em outras áreas ou não. Possuem conhecimento técnico tanto do manejo do equipamento como das condições do ambiente para um bom registro. Eles estudaram para isso e estão em aprendizado constante.

E são atiradores rápidos porque eles não pedem para o atleta pausar no percurso para a foto. Eles fazem seu registro enquanto correm, movimentam-se embaixo de chuva ou sol, subindo ou descendo ladeiras.

Estão ali trabalhando com a função de fornecer uma lembrancinha do evento. A foto na verdade é uma recordação de sua participação no evento de compra opcional. São disponibilizadas no site e o atleta busca através do seu número do peito ou identificação facial, a depender da plataforma. E só. Simples assim. Ele pode sorrir ou não para o registro e depois escolher ou não se quer comprar.

O preço de uma foto tem valor agregado

A média de preços de uma foto de corrida varia muito no mercado ficando na média de R$ 7 por imagem. Elas vão prontas para postar em redes sociais ou impressão como lembrança pessoal em álbum. Você escolhe como usar.

Estes R$ 7 representam muito mais que um número e alguns não compreendem isso. A venda de fotos é uma oferta com um mercado promissor, mas a compra é opcional. Logo, podem todos os atletas comprarem ou nenhum. O fotógrafo aposta na compra e se esforça para conseguir agradar. Funciona como toda relação de oferta e procura em um país capitalista.

Há um custo envolvido por trás para se chegar a esse preço. Um deles é o valor da hospedagem da imagem em um site com servidor de alta capacidade para guardar todas as fotos do evento e oferecer com sistema de pagamento. Destes R$ 7, portanto, uma parte fica com a empresa a qual ele veste a camisa/colete e não tudo para ele. Chama-se custo operacional e varia entre 15 e 45% por imagem.

Para ser fotógrafo ele precisa de ferramentas de trabalho. Estamos falando do equipamento, o qual precisa ser diversificado para todos os tipos de eventos e não é dos mais baratos. Em primeiro momento já é importante saber que as máquinas fotográficas e os acessórios são importados, vendidos em dólar e a moeda americana não está das mais baixas. Convertendo em reais, temos um fotógrafo carregando em sua mochila de trabalho o custo de alguns anos de alimentação de uma criança ou os móveis de uma casa inteira.

Não acredita? Procura no Google o valor de uma lente 18-105mm para Canon ou Nikon ou uma 70-200 mm 2.8. Jogue esses termos na busca e não se assuste ao ler R $2.900 em alguns dos modelos. A mochila com capa de chuva para não perder tudo com o clima louco do Recife chega facilmente a R$ 300. Um corpo de câmera nem quero comentar para não testar o coração de alguns leitores com o susto.

A limpeza do equipamento chega facilmente a R$ 1.000. O reparo em caso de queda pode chegar a R$ 2 mil e a troca é bem mais rápida que um fotógrafo de outra área. Enquanto os profissionais da área de casamento podem passar 10 anos com um equipamento em pleno estado, o profissional envolvido com corridas precisa trocar ou ter outro de reserva com 1/3 do tempo porque o desgaste é bem maior.

Somado a tudo isso há o desgaste físico de horas de trabalho exposto ao sol e chuva. É um trabalho como outro qualquer, um pouco mais duro fisicamente que muitas áreas e sem salário fixo. Afinal, nada impede de um fotógrafo de corrida cobrir uma maratona com 6h de duração no sol e não vender nenhuma imagem. E as vezes isso acontece, hein? De cobrir um evento e não cobrir seus custos de estar ali.

Temos então, nos R$ 7 os custos de hospedagem das imagens em um site, de compra e manutenção de equipamento e, o que sobra, seria o pagamento das horas de trabalho e desgaste físico.

Sabendo tudo isso, os R$ 7 nem parecem tão caro para alguns.

Se não quiser comprar, tudo bem.

Todos os fotógrafos de corrida de rua compreendem uma simples premissa: a compra de fotos é opcional. O registro é realizado de acordo com a permissão do atleta em seu termo de participação dos eventos, autorizando o uso de sua imagem.

Elas não serão vendidas ou postadas em veículos de comunicação. Ficam disponíveis para compra apenas nas plataformas. Por aqui temos as mais conhecidas em nível nacional Foco Radical, Fotop e de Olho no Atleta. Contudo, há várias por aí no mercado e muitos estados possuem as suas.

Não querer comprar é um direito de todo atleta. Contudo, caso sinta que está pagando caro, é só reler a explicação acima. Poucos sabem dos custos reais de apostar nesta profissão que, em alguns momentos, chega ao cansaço físico e mental extremo. Há quem não consiga beber água por horas pela quantidade de atletas acenando pedindo uma foto porque pretendem comprar.

Somado ao período de ida para o evento, cobertura e volta, temos ainda o pós prova envolvendo horas de edição para deixar o registro o melhor possível. E tudo isso está incluso nesses R$ 7.

Não quero mesmo uma foto. Tem como?

Sim! Se você não está a fim de comprar fotos não é obrigado, logicamente. Uma dica é sempre que passar por um fotógrafo colocar a mão sob o número do peito ou sinalizar com um não com os dedos. São dois sinais universais que fazem todos os profissionais da área entenderem que você não quer adquirir o produto posteriormente.

Dizer não é uma gentileza porque informa que ele não precisa ocupar espaço em seu cartão de memória com uma imagem a qual não será comprada e nem precisa dedicar-se na edição a este registro. Ele pode ir adiante e tornar o seu trabalho mais rápido.

Contudo, ao dizer não a uma foto de corrida lembre-se que há um profissional por trás o qual estudou e estuda para atender bem seus clientes, os corredores. Ele investe física, financeira e emocionalmente em sua profissional para oferecer um material de qualidade. Ele não é um ladrão tentando roubar seu dinheiro. É só uma pessoa trabalhando, como todas as outras e seu salário é a venda de uma foto, que custa R$ 7.

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