Gabrielle Andersen, a suíça que fez história na maratona olímpica

Todo fim de prova de corrida gera vídeos. Muitos são de atletas ultrapassando a linha de chegada, curtindo o percurso, mas sempre há aqueles momentos dolorosos. Atletas com cãibra passando maus bocados, mancando e com feições nítidas de dor. Os que finalizam a prova assim geram views e likes em redes sociais. São vídeos bonitos mesmo?

Um dos vídeos mais famosos é o de Gabrielle Andersen na Olimpíada de 1984, constantemente relembrado em telejornais e redes sociais dos atletas. Gabrielle entrou para a história na Suíça por sua chegada no coliseu com a musculatura nitidamente rígida de cãibras, mas finalizou o percurso. Sua posição foi a 37 da prova, mas ela eternizou o momento por ter terminado a quilometragem com dores e sem controle do corpo e se tornou um símbolo de determinação. 

Seria isso mesmo? Muitos atletas refletem sobre o assunto quando lidam em um vídeo como esse. Uma boa parte apoia porque mostra a sua determinação em finalizar a prova. Ir adiante quando o corpo pede para parar e mostrar ao mundo que você consegue é sim uma superação. Merece seu mérito. 

O motivo de críticas negativas

No dia 14 de novembro o atleta paulista Marcelo Avelar sentiu-se mal na Meia Maratona Internacional de João Pessoa por conta da temperatura elevada e uma véspera tumultuada de eventos sem dormir bem (palavras dele mesmo em depoimento no seu Instagram). Seu vídeo, de olhos fechados, sem força para atravessar a faixa de chegada e com gritos e aplausos da galera ao redor, pontuou as redes sociais. E muitos criticaram negativamente. 

Alguns atletas e professores não veem com bons olhos este comportamento porque incentiva amadores a seguirem adiante quando nitidamente seria melhor parar. É uma reflexão construtiva e válida. Contudo, estamos falando de um atleta de elite, vencedor de vários eventos e recordista daquela prova em especial. Ele conhece seus limites muito bem e sabe quando ir além. 

Ele pode ser citado como mau exemplo? Na verdade não porque temos conhecimento suficiente online para saber o que é certo e errado. Um atleta de elite não pode ser comparado a um amador porque treinamento e preparo técnico são diferenciados. Isso sem contar o fato que Avelar é treinador, ele se conhece. Se ele achou que dava, ele foi.

Poderia dar errado? Sim. Contudo, todos somos passíveis de um mau súbito na prova de corrida. Por esta razão um check-up anual é tão recomendado por especialistas. Avaliar as condições cardíacas, seu estado físico e mental também. 

Respeito ao corpo sempre

O conselho de quem vos escreve por aqui é simples de seguir: respeito ao corpo sempre. Correr o risco de correr com dor, sentindo-se genuinamente com mal estar não é uma superação. É ultrapassar os limites do seu corpo. E isso pode não dar certo. 

Temos muitos relatos de mal súbito em provas. Um atleta amador passou mal nos 21 km na Maratona do Rio 2021 e acabou por falecer metros depois da linha de chegada. Estava se sentindo mal há um tempo e usou a sua determinação para isso? Nunca saberemos. Ele foi além do seu limite naquele instante? Infelizmente não temos como saber.

Sim, superar-se é, às vezes, apenas uma questão de sentir o corpo e saber se é aquele o momento de ir adiante. Tudo bem não desistir quando uma consome as pernas porque, na maior parte das vezes, ela vai embora. Contudo, é preciso se conhecer bem para saber se é algo novo ou algo superável. Confiar em seu preparo e treinamento.

Mensure sempre se é o momento de ir adiante e finalizar a prova ou parar e aguardar outro momento oportuno para seguir em frente.

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