Um ano se passou e a COVID-19 ainda está entre nós. Pensamos que seria rápido, rezamos para ser veloz a sua ida e tudo voltar ao normal. Entretanto, o vírus é resistente e sofreu mutações, como todos os seres vivos para se adaptar ao novo ambiente. Agora ficou mais eficiente o contágio e a internação no hospital dos casos graves prolongou-se. E voltamos a fechar tudo.

Muito se fala sobre o abre e fecha do comércio e a culpa dos governadores, prefeitos e todas as entidades responsáveis por manter a saúde da população. Este é um direito de todos os brasileiros, previsto e amparado por nossa Constituição. E você? E eu, e nós? Qual a nossa parcela de culpa nisso tudo?

Somos corredores, queremos correr!

Enquanto corredores queremos correr. Queremos liberdade do vento no rosto, registrar o pace e postar fotos nas redes sociais e grupos de amigos.

Queremos também aplausos por continuar correndo e manter firme a paixão por corrida de rua mesmo em momentos tão entristecedores como o atual. A pandemia continua, somando em dias mais sombrios 2.368 mortes. E subindo.

Queremos correr sim, mas temos uma responsabilidade social de nos manter firmes como exemplo. Você já pensou que, suas postagens de treino em grupo, encorajam outros a fazer o mesmo? Afinal, “se não aconteceu nada com eles, não vai acontecer comigo.” Um pensamento simplista comum na pandemia.

Será que você é um bom exemplo?

Alguns corredores nunca pararam de aglomerar por diversos motivos. Mantiveram os treinos presenciais, continuaram a frequentar a academia e não se importam muito com o que os outros pensam. Na verdade é “cada um cuida da sua vida” mesmo. E que tal pensar no coletivo?

Infelizmente ou felizmente somos sempre exemplo para alguém. Assim como motivamos alguém a treinar, a buscar seu objetivo e até somos companhia em treinos para alcançar esse objetivo.

Também podemos ser exemplos de negatividade em um movimento tão delicado. Convidar os amigos para treinar é natural, mas não neste momento tão precioso de preservação da vida.

Empatia é importante neste momento

Existe o livre arbítrio sim e cada um sai de casa quando quiser. A quarentena é a indicação no momento mais segura em um momento de tantas incertezas e descobertas científicas. E não é complicado de entender. Se uma gripe normal a gente consegue pegar com o contato direto com um doente, então por que seria diferente com a COVID-19? Esta linha de raciocínio não é difícil.

Porém, atualmente necessitamos de algo além do conhecimento científico. Necessitamos de empatia. Somos seres sociais os quais se esforçam para sermos aceitos em um grupo. Logo, tendemos a copiar os hábitos dos colegas para esta aceitação. E isso envolve os pequenos gestos como usar a máscara. Se você conversa com seu colega sem máscara de proteção, seja ela de tecido ou descartável, a tendência é o outro tirar também para ser simpático.

O mesmo vale para organizar eventos neste período, com ou sem medalha. Todos somos livres para dizer não. Entretanto, por empatia, alguns vão comparecer para se sentirem incluídos e participar do encontro. A oferta do evento não seria um erro, então? Não seria propagar a aglomeração, uma medida que aumenta o contágio da covid-19? Não seria incentivar a quebra da quarentena quando, o mais seguro, é conviver apenas com seus entes próximos?

Empatia é pensar no outro em momentos bons e ruins. É pensar no uso da máscara para proteger não apenas a si mesmo, como também seus parentes e amigos em casa. Seria, sem a certeza de conter o coronavírus dentro do corpo, não abraçar os colegas. É também não oferecer a sua mão para apertar. Você oferece o cotovelo e seu amigo, por empatia, copia o gesto. E assim seguimos.

Empatia sempre, não apenas neste momento tão dramático o qual estamos vivendo. A mesma empatia que o corredor tem para sorrir quando cruza com outro atleta na rua pode ser usada para dar exemplo de cuidados para evitar novos contágios da COVID-19. E só assim podemos sair desse sufoco e voltar aos treinos normais.

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