A busca por saúde e bem-estar transformou o consumo dos brasileiros nos últimos anos, impulsionando segmentos que antes eram considerados de nicho. Entre eles, os suplementos alimentares em pó — como whey protein, creatina e colágeno — se tornaram protagonistas, conquistando diferentes perfis e faixas etárias.
De acordo com a ABIAD (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres), o consumo de concentrados proteicos em pó cresceu 3% em 2024 em relação ao volume total comercializado no país. O dado reflete uma mudança de comportamento: a população está mais preocupada em manter hábitos saudáveis, prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida com apoio da suplementação.
“A suplementação em pó tem se destacado por sua versatilidade e praticidade, atendendo desde quem deseja melhorar o desempenho físico até quem busca prevenir a sarcopenia ou cuidar da pele e das articulações. É um mercado que vem se sofisticando e ampliando seu público. Hoje, é comum ver pessoas acima dos 50 anos incluindo colágeno e creatina em sua rotina com orientação profissional”, explica Francisco Neves, diretor geral da Pronutrition.
Longevidade e novos hábitos
O envelhecimento da população também ajuda a explicar esse crescimento. Com maior expectativa de vida e acesso à informação, idosos estão cada vez mais engajados em práticas de autocuidado. O colágeno hidrolisado em pó se tornou um aliado importante, especialmente entre mulheres que buscam amenizar efeitos da menopausa e preservar pele, cabelos, unhas e articulações.
A tendência é global: o mercado de colágeno em pó movimentou cerca de US$ 1,30 bilhão em 2024 e deve chegar a US$ 2,17 bilhões até 2032, segundo a Data Bridge Market Research. O crescimento anual projetado é de 6,6%, puxado principalmente pela América Latina e pela Ásia.
A ascensão da creatina
Outro suplemento que vem ganhando destaque é a creatina, tradicionalmente associada ao ganho de força e massa muscular. Estudos recentes apontam seu potencial também em benefícios cognitivos e prevenção de doenças neurodegenerativas, despertando interesse de consumidores mais velhos e profissionais da saúde.
“É interessante observar como o uso da creatina tem saído do universo esportivo e se integrado a rotinas de cuidados com o envelhecimento e a longevidade”, reforça Neves.

Além dos benefícios funcionais, o formato em pó se destaca pela facilidade de preparo, custo-benefício em relação a cápsulas e precisão na dosagem. O produto pode ser incorporado em shakes, sucos, iogurtes ou receitas caseiras, permitindo personalização no dia a dia.
O acesso também aumentou. Farmácias, supermercados, lojas de produtos naturais e e-commerces ampliaram o portfólio de suplementos em pó, oferecendo embalagens acessíveis e campanhas educativas que incentivam o consumo responsável. A influência de nutricionistas, médicos e influenciadores digitais também tem papel relevante no crescimento do setor.
O novo perfil do consumidor
Segundo levantamento da ABIAD, 48% dos brasileiros já consumiram algum tipo de suplemento alimentar. Entre eles, os produtos em pó lideram em praticidade e frequência, especialmente entre adultos de 25 a 45 anos. A expectativa é de crescimento nos próximos anos, acompanhando a conscientização sobre os benefícios da nutrição equilibrada.
“O novo perfil de consumidor está mais informado, exigente e consciente. Ele quer produtos eficazes, mas também seguros, de boa procedência e com apelo sustentável. Por isso, vemos marcas investindo em pesquisas, certificações e embalagens eco-friendly, além de apostar em fórmulas limpas e sem aditivos artificiais”, conclui o porta-voz.









