Durante a pandemia os eventos oficiais foram suspensos. O coração do atleta ficou triste: não poderia continuar sua coleção de medalhas. Alguns suspenderam a planilha, mas surgiram os treinos com medalhas. 

Tais eventos são organizados por grupos de corrida há muitos anos. Contudo, com a suspensão dos eventos oficiais, eles ganharam mais força. Inovaram no estilo e se consagraram na agenda. Ganharam o mercado e hoje lotam pistas. 

As corridas voltaram e o movimento para alguns eventos anda fraco. Seriam os treinos com medalhas os responsáveis? Eles roubaram a cena de forma permanente? Não. São focos diferentes. 

Treino com medalha pode inovar

Grupos e organizadores autônomos estão inovando em seus eventos alternativos. Enquanto uma corrida oficial oferece água e, talvez, uma fruta no kit pós prova, os pequenos eventos provêm um café da manhã completo. Antes eram frutas variadas, lavadas e cortadas. Hoje são refeições poderosas como cuscuz recheado, suco de fruta geladinho e até feijoada. Picolé é quase obrigatório em tais festanças. Que delícia, hein!

Eles também atraem com seus brindes. Viseiras, copos decorados e bolsinha são apenas alguns dos mimos. Há chaveiros e belas camisetas complementam um belo que kit de em média R$ 40.

Eles podem mesmo agregar valor para o atleta porque seu custo é mais baixo. 

Em uma organização de corrida de rua há vários custos envolvidos. O uso da via pública fechada por um período de tempo, por exemplo, envolve pagamento de taxa (e não é das mais baixas). Os staffs direcionando no percurso para não haver erros também, assim como a arbitragem, recebem por isso. Assim como balizadores em motos (agentes de trânsito), ambulância, pórtico, gradil, cones, dentre outros.

Os eventos alternativos, por sua maneira, usam amigos como staffs sem custo e correm na rua mesmo sem temor ou na calçada seguindo um percurso determinado por eles que, muitas vezes, é aproximado mas não finaliza corretamente. A aferição de percurso (medição dos KM) em caráter oficial também é um serviço pago. 

Sem tantas taxas, a inscrição acaba se tornando um valor livre. Após retirado o custo da medalha, o restante pode ser direcionado ao evento. E isso é bom porque um aniversário de equipe anda cada vez mais bacana. Há bandas, bateria de escola de samba, carro de som seguindo o percurso, dentre outros. 

Esta é a justificativa para uma lista tão grande de atrativos ao valor de R$ 30. Não dá para um evento oficial competir com isso e oferecer as mesmas coisas com tantos custos. É fato. E os patrocínios? Não chegam a cobrir todo o custo da prova, com certeza.

Treino é treino, corrida é corrida

Por mais criativo que seja, o foco de um evento de corrida é outro. Ele rende comprovante válido para outras provas, por exemplo. Uma maratona oficial completada em sua cidade serve de classificação para a inscrição na Maratona de Boston, por exemplo. Isso caso o atleta alcance o índice mínimo para participar do evento.

A maratona organizada por seus amigos pode envolver 42 km em 6 horas, mas não vale porque não há arbitragem e medição oficial do percurso. 

A corrida oficial com uma organização e equipe técnica envolve ainda a oferta de segurança. Isso é garantido com percurso fechado, sem a presença de carros. Nos eventos informais sempre há o risco de envolver-se em um acidente.

E falando em acidente, nas corridas de rua oficiais há a obrigatoriedade da presença de ambulâncias e corpo médico disponível sempre nos eventos formais. Bombeiros também auxiliam no socorro, dentre outros serviços de saúde. 

Treino com valor mais em conta tem seu público

Os suprimentos para uma corrida de rua ficaram mais caros. É fato. Isso elevou o valor das inscrições. O que seria, portanto, dos atletas que não podem arcar com R$ 150 de uma inscrição do circuito das estações? Eles terão que esperar um ano para ter uma medalha?

Os treinos com medalhas são ainda uma alternativa para quem quer estar com amigos e ter uma medalha bacana. Isso sem falar la liberdade de temas e criatividade dos organizadores. Temos Corrida das Caveiras, Desafio das Princesas, medalhas de Poseidon e mandalas belíssimas com suporte em MDF e valor bem em conta. Há um público que não pode pagar tanto e quer mesmo assim ter sua medalha de corrida.

Treino e evento oficial podem co-existir?

Há espaço para os dois? Sim. As equipes de corrida, assessorias e amigos runnings sempre organizam seus eventos. Eles sempre existiram porque são celebrações entre amantes do esporte com a proposta de curtir. Eles apenas ganharam força e notoriedade na pandemia porque não havia outros eventos no calendário. 

O brilho de um evento, de participar de uma grande estrutura com narrador, pórtico de chegada e cronometragem oficial sempre vão existir. Os atletas de elite, por exemplo, sempre vão abrilhantar tais eventos porque precisam de um documento oficial válido. E eles são, de fato, mais seguros porque há uma estrutura voltada para isso que os pequenos organizadores não podem oferecer. 

Os dois, contudo, podem dividir a agenda do atleta. Afinal, treino é treino e os eventos, por mais medalhas que ofereçam, ainda são treinos bem legais para curtir, preencher o Instagram com belas imagens.

Às vezes os calendários vão se chocar? Sim. Entretanto, eles unem apenas amigos de uma comunidade em específico. O grande público não faz parte de um treino de equipe e ambos podem até acontecer no mesmo dia. Um evento pequeno não consegue arrastar de forma segura (e sem receber uma bela visita da fiscalização) 1 mil pessoas. Apenas os grandes.

Os grandes eventos de corrida, presentes há mais de 100 anos em todo o mundo, nunca vão deixar de existir.

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