A cada quatro anos somos convidados a torcer por nossos atletas brasileiros em todas as modalidades. É uma festa esportiva sem igual que muda a rotina da gente. Em 2021 teve gente sem dormir porque o fuso horário fez as Olimpíadas de Tóquio serem transmitidas de madrugada. 

É durante os jogos mais famosos do mundo que somos reapresentados aos nossos meninos atletas. Jovens com talento, às vezes homens e mulheres de meia idade sedentos por uma conquista depois de tantos anos de batalhas. Torcemos por eles e para os demais até tropeçarem na pista para a medalha ser nossa. Uma festa.

E nos outros anos? Como ficam os nossos atletas quando ainda não chegaram na grande festa esportiva mundial? O atletismo é esquecido. 

Precisamos pensar sobre o atletismo

Os demais esportes de alguma forma fazem parte do nosso dia a dia. As competições de vôlei e futebol são transmitidas ao vivo na TV aberta semanalmente. O atletismo fica restrito ao canal pago ESPN (nem todo mundo tem em casa) em mundiais e olhe lá. E não lembramos dele. 

As competições de pista e do centro de atletismo são tão difíceis, competitivas e exigem tanto do atleta quanto dos demais esportes. Contudo, não somos incentivados a pensar nelas porque não são transmitidas ou filmadas. 

E devemos pensar sobre o atletismo muito mais porque a luta para chegar ao topo é imensuravelmente maior. 

De quem é a culpa do esquecimento?

Essa mera observadora do mundo, curiosa e falastrona que vos escreve acredita em uma culpa coletiva. 

Em primeiro lugar, não existe um interesse em patrocínio de quem realmente pode financiar esta brincadeira porque são esportes os quais exigem talento e não apenas ter dinheiro.

Não é um bom tênis que faz um corredor e sim um bom desempenho e esforço diante dos treinos. Não dá, por exemplo, para financiar uma equipe de atletismo pensando em inserir o seu filho nela para ser primeiro lugar. Se ele não correr bem, ele não ganha nada e não é culpa de ninguém. Então por que investir nisso? 

O atletismo não é rentável também em sub produtos. Assistir competições de 5.000 metros não incentiva ninguém a comprar camisas de times, ingressos para jogos ou criar torcidas com bandeiras. São muitos nomes os quais entram e saem de cena rápido, nem dá para focar em um ídolo e criar pôster na parede.

Não incentiva subprodutos. Logo, no pensamento comercial do investidor, não é rentável para um patrocinador depositar grana apenas para melhorar a vida dos atletas quando ele não vai ganhar compradores de camisetas na mesma proporção. 

Pensamento maligno? Na verdade não. Vivemos em uma sociedade capitalista em que, se não tem lucro envolvido, não vale a pena. 

RELACIONADO: Quais os desafios para se tornar um atleta de elite?
RELACIONADO: Como é o sonho de viver uma Olimpíadas?

Também temos culpa no cartório. Você, amigo leitor, já entrou no site da Federação Pernambucana de Atletismo para se informar sobre o calendário de competições de Pernambuco para o atletismo? Já chegou ao menos a entrar no Santos Dumont para prestigiar jovens e adultos na busca por índices para, quem sabe um dia, serem atletas olímpicos? Não fazemos a nossa parte também. 

Admiramos Usain Bolt, um jamaicano considerado por tempos o homem mais rápido do mundo. Todavia, não lembramos de nomes como Wellington Bezerra, o Cipó, ou a Cisiane, da nossa terrinha e com marcas incríveis em suas modalidades. Temos nossa parcela de culpa de não buscar a informação também. 

Você pode fazer a diferença

Quando a mídia não nos lembra, esquecemos de nossos atletas de pista de curtas e longas distâncias, salto com vara, salto em distância, corrida com barreiras, lançamento de disco, dentre outros esportes que abrilhantam o nosso querido e formador de talentos Santos Dumont, no Recife. 

A mídia se quer lança a notícia do evento. Então, enquanto corredor, busque informações. Lembre que antes de chegar no pódio de uma olimpíada o atleta passa por várias competições, seletivas.

Faça a diferença e abrace a causa. Junte um grupo de amigos e faça uma doação aos atletas em treinamento. Prestigie uma das competições a aplaudir os atletas. No geral, nas arquibancadas (e muito antes da pandemia), contam apenas com a torcida de um parente ou o silêncio de não haver público.

Não deixe o sonho morrer de muitos que desistem da carreira de atleta por terem que escolher entre trabalho e treino porque o atletismo é considerado um esporte não rentável. Podemos mudar esse cenário. 

Artigo anteriorProfissão atleta: Quais os desafios para se tornar um atleta de elite?
Próximo artigoTJPE promove desafio virtual para celebrar 200 anos de criação

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui